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Guggenheim tem contrato suspenso
Jornal
do Brasil -
21/05/2003
Liminar
atende ação movida por vereador
Uma
liminar concedida, ontem à noite, pelo juiz João Marcos
Fantinato, da 8ª Vara de Fazenda Pública do Rio de Janeiro,
suspendeu o contrato assinado entre a Prefeitura do Rio e a Fundação
Guggenheim para a construção de uma filial do museu
no Píer da Praça Mauá.
A medida
judicial impede, ainda, que no próximo dia 30 a prefeitura
efetue o pagamento de cerca de US$ 10 milhões à fundação
e ao arquiteto francês Jean Nouvel - autor do projeto do Guggenheim
carioca - referentes à primeira parcela para a elaboração
dos projetos executivos da construção do museu. A
obra está orçada em US$ 133,6 milhões.
De
acordo com o juiz, o contrato não cumpre exigências
constitucionais e apresenta ''pontos obscuros''. O magistrado afirmou
que o contrato cria obrigações financeiras para o
município por pelo menos dez anos, o que excede o exercício
fiscal de 2003 e o mandato de Maia. A Constituição,
diz Fantinato, prevê que nenhum investimento com essas características
pode ser iniciado sem prévia inclusão no plano plurianual,
ou sem lei que o autorize, sob pena de crime de responsabilidade.
Entre
os pontos considerados obscuros pelo magistrado está a cláusula
12.1, segundo a qual parte do contrato estaria sujeita às
leis do Estado de Nova York, o que o juiz considerou irregular.
Fantinato disse ainda que, apesar de a previsão orçamentária
de 2003 ser feita em reais, os custos do contrato estão em
dólares americanos.
A medida
liminar concedida pelo juiz da 8ª Vara de Fazenda Pública
atende ação popular proposta pelo presidente da Comissão
de Assuntos Urbanos da Câmara Municipal do Rio, vereador Eliomar
Coelho (PT), contra o prefeito Cesar Maia (PFL), a Fundação
Solomon Guggenheim e o Município do Rio. A prefeitura deve
recorrer da decisão.
A notícia foi recebida com satisfação pelo
vereador Mario Del Rei (PSB), também contrário ao
projeto milionário. Para o parlamentar, o contrato só
servia para salvar a fundação da falência, já
que todos os custos teriam que ser pagos antecipadamente pelo município.
- A
Justiça estava devendo uma decisão, principalmente
antes que fossem transferidos mais recursos para o projeto. Espero
que o próximo passo seja a devolução do que
já foi pago: US$ 2,1 milhões à fundação
e US$ 700 mil em impostos.
Com Agência Estado
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